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30 de jul de 2015

Tenham Compaixão daqueles que Duvidam*

Por Samuel Alves

A igreja local tem sua tarefa militante, que defender e recomendar o evangelho. Judas escreve sua carta alertando aos crentes para que defendam a fé que nos foi dada. Esta defesa é um processo de demolição; uma demolição de argumentos contra a verdade bíblica. Precisamos refutar todas as heresias que circundam à igreja. Ao falar deste combate, Oliphint[1] afirma:


“Devemos, no entanto, reconhecer duas coisas. Em primeiro lugar, devemos entender a seriedade dos argumentos em si. Se eles são levantados contra o conhecimento de Deus, podem ser destrutivos a quem quer que os adote. Em segundo lugar, devemos entender que o cristianismo tem de fato respostas para esses argumentos. Ainda que estejamos familiarizados com a técnica e a terminologia precisa dos argumentos, uma vez que consigamos compreender a questão que se destinam a responder, nosso entendimento das Escrituras poderá começar a fornecer resposta.”

Sendo assim, percebemos o contraste da realidade bíblica em que a igreja se encontra nos nossos dias. Estamos inseridos em um contexto pós-moderno, teremos pouco sentido enquanto não entendermos o significado da palavra cristão e compreendermos o que constitui uma comunidade cristã. O cristianismo é a única verdade e é fiel a realidade, explica a criação, o universo e toda a sua complexidade. Portanto, o que a igreja precisa não é de novos métodos, ela precisa de homens que lutem pela fé que foi dada aos santos. A Bíblia é a palavra de Deus! Ela é nosso guia de fé e pratica. Sem a palavra de Deus a igreja fica raquítica, morta e não consegue desenvolver uma ortodoxia[2] saudável. Hoje no nosso contexto brasileiro, sofremos pelas influências das heresias. Os crentes precisam ser doutrinados através das Escrituras e só assim viverão uma vida de riqueza espiritual, serão sábios e relevantes nesta sociedade secularizada que a cada dia nega todos os pressupostos bíblicos.

Temos a Bíblia como nossa regra de fé e prática e ela nos mostra quem são os hereges e como combater suas heresias que tanto ameaçam a sã doutrina. Só que neste universo que envolve teólogos ortodoxos e os hereges, temos as pessoas que são novas na fé, irmãos que são de outra linha doutrinária e que muitas vezes aprenderam tudo errado e estão abraçando a fé reformada trazendo toda bagagem e influencia de onde vieram. Assim como Cristo foi misericordioso conosco, devemos tem compaixão daqueles que tem dúvidas e até aqueles que estão no caminho errado! É triste olhar alguns comentários no Facebook e artigos de alguns blogs cristãos e ver muitas pessoas que repreendem como Jesus, mas não amam como Jesus. Em algumas oportunidades somos rudes e arrogantes quando expomos a doutrina, perdendo a oportunidade de compartilhar algum ensinamento ou até mesmo exortar em amor um irmão que está no caminho errado. O apóstolo Paulo encoraja o jovem pastor Timóteo dizendo:

“Retenha, com fé e amor em Cristo Jesus, o modelo da sã doutrina que você ouviu de mim. Quanto ao bom depósito, guarde-o por meio do Espírito Santo que habita em nós”. 

2 Timóteo 1:13,14. 

Ortodoxia e ortopraxia andam juntas, como fé e amor! Outrora eu era um neo-pentecostal, tive encontro com pessoas que me ajudaram a conhecer e abraçar a fé reformada, pessoas que tiveram a paciência de caminhar junto comigo e me apresentar as doutrinas da graça. Temos uma missão! A cada dia que passa muitas pessoas estão lendo e bebendo das fontes da reforma. Estive, há pouco, num simpósio onde o salão estava repleto de jovens ansiosos para aprender o que é o evangelho da graça. Oro para que Senhor possa conduzir esses jovens a crescerem na graça e no conhecimento da verdade. Oro para que Deus me dê oportunidade de ajudar pessoas a caminhar e viverem uma vida segura e alicerçadas em Cristo. O apóstolo Paulo foi alvo da graça e fez por outros o mesmo, importou-se genuinamente com as pessoas que discordaram dele, pensando em sã doutrina e piedade Joshua Harris faz o seguinte comentário em seu livro[3]:

A Sã doutrina é vital. Uma vida piedosa é essencial. Mas não são suficientes. Sem humildade no coração, seremos como fariseus e usaremos a verdade como uma vara para açoitar os outros. E Deus será desonrado nisso. Se queremos honrar a Deus, devemos representar a verdade humildemente em nossas palavras, conduta e atitude.

Portanto, precisamos atravessar as fronteiras e estender a mão ao próximo, precisamos ter compaixão daqueles que duvidam, precisamos amá-los e expor todo o conselho de Deus. Ter compaixão é se colocar no lugar do outro. Se olharmos pra nossa vida perceberemos que muitas pessoas nos ajudaram, seja direta ou indiretamente. Assim precisamos por em prática o grande mandamento:  “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’. O segundo é este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não existe mandamento maior do que estes" Marcos 12:30,31. Todavia, Tenham compaixão daqueles que duvidam...

Soli Deo Gloria



* Judas 1.22 (NVI)
[2]. Palavra que vem do grego "orthós" e "dóxa", Corrente que surgiu imediatamente depois da Reforma. É a sistematização e a consolidação das idéias da Reforma, desenvolvidas em contraste com Contra-Reforma.
[3] Harris, Joshua. Ortodoxia humilde: Defendendo as verdades bíblicas sem ferir as pessoas; tradução de Caio Peres. São Paulo: Vida Nova, 2013. p.40.

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